Há muitos, muitos anos, numa pequena cidade de Nazaré vivia uma virtuosa donzela de descendência de Judá e da antiga casa real de David. O seu nome era Maria. Numa tranquila tarde em que Maria rezava, eis de súbito a envolve uma luz celeste e aparece diante dos seus olhos o anjo Gabriel…

5A5A7434-Editar– Avé Maria cheia de graça, o Senhor é convosco.
– Quem sois vós?
– Eu sou um mensageiro de Deus. E bendita sois vós entre as mulheres. Eis que conceberás e darás à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-à “Filho de Deus”.
– Mas como pode isso acontecer?
– O Espírito Santo descerá sobre ti e Deus te cobrirá com a sua sombra. Por isso, a criança que vai nascer será filho de Deus. Também a tua prima Isabel, apesar da muita idade, irá ter um filho. A Deus nada é impossível.
– Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.

O Messias há 4 mil anos esperado iria nascer. Os profetas haviam anunciado que o Messias nasceria na cidade de Belém.
Assim se passaram uns meses e… Maria parecia outra…

– Maria, não sei o que te noto, mas não pareces a mesma….
– Tenho pressa José! Tenho muita coisa para fazer.
– Estou a ficar preocupado… Parece-me que Maria está grávida e ainda som0s noivos… Embora a ame muito o melhor é deixá-la não vá o povo dizer coisas… Fujo de Nazaré e acabou-se.
– José porque é que queres abandonar Maria? Não penses mal dela  porque irá ser mãe por obra do Espírito Santo. É que o menino que vai nascer não é uma criança qualquer, é dom de Deus à Humanidade.
– Não entendo bem…- Mesmo sem entenderes bem, acredita. Não receies receber Maria em tua casa. Ela dará à luz um menino ao qual porás o nome de Jesus.
– Faça-se a vontade de Deus.

Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e de Isabel, sua prima.

– Isabel!
Maria, há quanto tempo!
Como estás? Estás tão bonita!
Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! E donde me é dado que venha ter comigo  a mãe do meu Salvador? Logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação o menino saltou de alegria no meu seio! Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que foi dito da parte do Senhor.
A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador. Porquê pôs os olhos na humildade da sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada, todas as gerações.

Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois, regressou à sua casa.
Por essa altura, faz agora mais de dois mil anos, Augusto, o Imperador de Roma, ordenou que todos deveriam se inscrever, cada um na sua cidade, nos registos do Império Romano.

– Da parte do Imperador faço saber que todas as pessoas têm que ir ao sítio onde nasceram e ali devem inscrever-se num livro. Dentro de um mês todos têm que estar inscritos, recenseados!

Maria e José tiveram de viajar de Nazaré, até à terra dos seus pais, Belém – a antiga cidade de David. Despediram-se dos vizinhos e puseram-se em marcha em direção ao sul. A  cidade de Belém estava cheia de gente e Maria começou a ficar preocupada ….

– José está tanta gente. Onde vamos ficar?
– Não te preocupes Maria. Vamos até à hospedaria.
– José somos pobres. Como é que vamos pagar?
– Já veremos, Maria. Talvez o estalajadeiro tenha pena de nós.
– Quem é? Que quereis a estas horas?
– A minha mulher vai dar à luz e não temos um lugar onde passar a noite. Está tudo ocupado. Não há aqui lugar para nós?
– Lamento muito, mas eu não tenho lugar para vós! Se não quereis passar a noite ao relento, procurai uma gruta, naquela colina, pertencente aos pastores… ali encontrarão algum abrigo.
– E onde fica essa gruta?
– Bernardo, Bernardo chega aqui!
– Diga mãe?
– Acompanha estes senhores até à gruta dos pastores.
O pequeno menino leva José e Maria até à gruta.
– Eis aqui a gruta!

Assim se dirigiram para a gruta onde se abrigavam os animais e onde havia uma manjedoura. Estando ali, chegou a o momento do parto e Maria deu à luz o seu filho. Envolve-o em panos e recostou-o sobre as palhas da manjedoura.

Naquela noite misteriosa, encoberta de nuvens, um grupo de pastores tinha uma diferente sensação de tranquilidade nas suas almas… algo estava para acontecer…. O tempo corria e a noite se firmava. A escuridão parecia pesar cada vez mais. Em certo momento, os pastores notaram que os seus rebanhos estavam silenciosos como nunca antes estiveram. Os animais pareciam participar daquela sensação aprazível e serena de algo misterioso. O sono começou a tomar conta deles… Quando menos esperavam, uma luz misteriosa apareceu. Tão forte e intensa que os cegou por instantes e não conseguiam abrir os olhos por mais que tentassem. O temor tomou conta da suas almas.

– Ouviram? Acordem todos! Vamos já em direção a Belém para vermos o que o Senhor nos anunciou.
Escutem, não vamos de mãos vazias. Temos de levar algum presente, não vos parece?
– Mas que havemos de levar a um Deus que tanto tem?
– Eu vou levar um cordeirinho de prateada brancura, o mais puro que encontrar.
– E eu levo-lhe um requeijão, o melhor que eu requeijei.
E eu a minha flauta. Ah, e esta manta para ele se agasalhar.
– Vou acordar os outros pastores que estão ali, naquele monte.
– Manuel, Manuel, o Messias já nasceu. Vamos  depressa… Vamos até Belém!

Os pastores foram a toda a pressa ao encontro do Deus Menino.
Levavam as suas prendam e cantavam alegremente o nascimento do Messias.

Neste ambiente de paz e de mistério viviam povos que conheciam as antigas profecias a respeito da vinda do salvador à terra. Habituados a ler nos fenómenos celestes os sinais dos grandes acontecimentos, três sábios maravilhados, viram surgir no firmamento, uma estrela de radiante luz, que se deslocava no céu em direção à Judeia. Inspirados por Deus puseram-se a seguir a estrela.

Após longa caminhada, atravessando vales , montanhas e desertos, chegaram por fim a Jerusalém. Entretanto, a estrela que os tinha guiado desapareceu no firmamento…
Procuraram então informação no palácio do Rei Herodes.

Sua majestade, o rei Herodes!
Salve Majestade!
– Andaram fazendo perguntas sobre uma criança?
–  É verdade majestade, viemos de cidades muito distantes à procura dela.
– E quem vos disse que uma tal criança deverá nascer rei no meu reino?
– Nós vimos o nascer da estrela d’Ele e essa estrela tem sido o nosso guia.
– Vocês seguiram uma estrela da Ásia até o centro do mundo? Quando encontrares essa criança, como terás certeza que é a que procuras?
– Pela precisão da estrela.
– É somente através da estrela que saberão?
– Que porta-voz maior pode ter uma criança do que uma estrela?
– As vossas perguntas deixaram-me perturbado. Ora, eu sou o Rei dos Judeus! De qualquer maneira vamos consultar os doutores da lei. Escribas! Os profetas indicam onde nascerá o “Rei”?
–  Sim majestade. Aqui está… O Rei nascerá em Belém da Judeia, pois assim escreveu o profeta Miquéias :“e tu, Belém Efrata, posto que és pequena entre as milhares de Judá, de ti sairá o que será Senhor em Israel.
– Isto é grave! Muito grave!
– Bem senhores, vão a Belém e procurem o menino, e quando o encontrarem voltem e digam-me para que eu possa ir… Para que eu possa ir adorá-lo também, claro.

Estou muito preocupado com essa tal criança! Sabes o que vou fazer de verdade? Vou mandar os soldados matarem todos os meninos de dois (2) anos para baixo. Vamos redigir o decreto real, quero ver esse reizinho escapar!

Os Reis Magos deixaram o palácio do rei Herodes e encontraram novamente a estrela que os tinha acompanhado desde o Oriente. A estrela sempre a piscar, segue à sua frente e para numa encosta.

– Eu trago ouro. Acredito que és não só o rei dos judeus mas também de todas as pessoas do mundo.
Eu te ofereço incenso, desse que se queima diante do altar de Deus, no templo. Acredito que és Filho de Deus, és Deus connosco.
Eu te ofereço mirra da Arábia, dessa que serve para curar as feridas. Acredito que és verdadeiramente humano, como nós.
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