5A5A3238-EditarNo dia 15 de janeiro de 2015 foi comemorado o Dia da Freguesia de Santa Cruz, com uma Sessão Solene, no Salão Nobre do Edifício dos Paços do Concelho. Nesta cerimónia comemorativa, a Junta de Freguesia de Santa Cruz, homenageou, a título póstumo, a Srª Maria José Sousa Jardim, com a entrega aos seus familiares, de uma placa comemorativa idealizada e realizada pela artista plástica Luísa Oliveira. Com esta iniciativa, a Junta de Freguesia quis honrar a vida de uma grande senhora dedicada ao voluntariado.
Paulo Alves, presidente da Junta de Freguesia, entregou a placa comemorativa ao filho da homenageada, Sérgio Teixeira que, em nome da sua família, agradeceu emocionado o gesto:

“Ex. mos Senhores!
A homenagem que hoje prestam à minha mãe, tem para nós, seus familiares, um significado marcante e excecional. É uma manifestação de respeito pela sua vida de dedicação aos outros. Fomos nós, seus familiares, testemunhas da convicção e da fé nos valores morais que nortearam todos os seus atos e todas as suas causas. A homenagem hoje rendida será sempre relembrada por nós com a humildade que a caracterizava, com a gratidão que lhe devemos e com o orgulho de a termos tido como mãe. Em nome da minha mãe e dos seus familiares os mais sinceros e enternecidos agradecimentos.
Obrigado.”

Esta cerimónia ficou, ainda, marcada pelo testemunho de Clarisse Ferreira amiga pessoal da Srª Maria José, sobre a “vida voluntária” desta filha de Santa Cruz e da Paróquia da Lombada.

Testemunho de uma “Vida Voluntária”

Nascida a 13 de Novembro de 1929, a senhora Maria José Sousa Jardim, casada, com dois filhos, é um verdadeiro exemplo de uma vida dedicada ao voluntariado. Desde criança que sentiu, no seu pequeno coração, a necessidade de prestar um serviço voluntário de ajuda aos outros. Despertou-lhe ainda mais esta vontade de ser voluntária quando, aos 18 anos, aceitou fazer parte do grupo da Acção Católica Rural existente na Paróquia de Santa Cruz. A entrada para este movimento deve-se ao então “pároco de Santa Cruz, Padre Daniel, que convidou as pessoas a pertencerem ao movimento mas, em contrapartida, teriam de ensinar catequese”. A catequese foi então uma outra forma da senhora Maria José prestar um serviço voluntário à comunidade.

IMG_8847.2Enquanto elemento da Acção Católica Rural (A.C. R.), sentia um grande orgulho na farda que usava; era algo diferente. Participar nas procissões, nas celebrações do terceiro Domingo da Quaresma, designado por ”Dia da Comunhão Pascal das Raparigas”, seguida de uma festa convívio, era algo que deixava esta mulher com uma vontade de fazer mais pela comunidade. Além destas actividades, a A.C.R. organizava colónias de férias e retiros para os seus elementos. A sua passagem pela Acção Católica Rural ficou marcada pelos diversos cargos que ocupou: militante, dirigente, tesoureira e encarregada de doentes.
Na divisão das paróquias de Santa Cruz e Lombada, a senhora Maria José, pertencendo agora à Paróquia da Lombada, lutou para que fosse fundada, nesta paróquia, o movimento da Acção Católica Rural, o que aconteceu no dia 16 de Abril de 1961, tendo sido oficializado em Outubro do mesmo ano. Nesta paróquia continuou-se com as festas da Comunhão Pascal das Raparigas.
Juntamente com outros militantes da A.C.R., participou na organização de Casas de Chá para benefício dos movimentos existentes na paróquia: Vicentinos e Acção Católica Rural.

Um acontecimento que marcou a vida voluntária desta mulher foi quando encabeçou um grupo de pessoas, militantes da A.C.R e outros paroquianos, numa iniciativa que visava a construção de uma habitação para uma família proveniente do estrangeiro sem meios para poder construir casa. Esta batalha foi dura e cansativa especialmente para aqueles que voluntariamente participaram, com as suas próprias mãos, na construção da habitação, dando dias de trabalho árduo e desgastante. Mas, como diz o ditado, “a união faz a força”, e o sonho daquela família concretizou-se graças ao empenho de todo este grupo de voluntários.

Ensino

Uma outra forma de voluntariado foi através do ensino, isto é, a senhora Maria José preparava as pessoas que pretendiam candidatar-se ao exame da “quarta classe de adultos”. Esta dedicação ao ensino durou cerca de 30 anos, antes do 25 de Abril de 1974. Preparou pessoas para exame provenientes das freguesias de Gaula e de Santa Cruz, “algumas delas com o objectivo de possuírem a quarta classe, para poderem trabalhar no Aeroporto do Funchal”.

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Catequese

A senhora Maria José foi uma pessoa que dedicou a maior parte da sua vida ao ensino da catequese, já que foi catequista durante cerca de 50 anos, tendo deixado de ensinar no ano catequético 1997/98.

 

 

Voluntariado para a “Aldeia da Paz”

Participou em muitas iniciativas tendo em vista a angariação de fundos e outros produtos para a Aldeia da Paz.

Costura

Outra forma de ajudar os outros foi através do ensino de costura. Ministrava cursos de costura e, no final, passava diploma aquelas que desejassem.

Dirigente

Fez parte da direcção do primeiro grupo coral da Casa do Povo de Santa Cruz, nos finais dos anos 70 e princípios dos anos 80.

Distribuição do “Mundo Rural”

Como responsável paroquial da revista da A.C.R. “Mundo Rural”, distribuía, porta a porta, cerca de 100 revistas, tendo sempre uma palavra de amizade e de incentivo à leitura para com os assinantes.

Centro Paroquial da Lombada

Participou, com muito entusiasmos, na construção do Centro Paroquial da Lombada, fez parte do grupo que foi à Câmara Municipal de Santa Cruz pedir apoios para esta construção. Sem ela, talvez ainda hoje não existisse este Centro.

Ao concluirmos este testemunho de vida dedicado ao voluntariado não podemos deixar de referir que esta mulher, foi ao longo destes anos uma grande dinamizadora de actividades e acontecimentos realizados na paróquia da Lombada. A sua persistência levou a que hoje exista, na paróquia, o movimento da Acção Católica Rural, muitos materiais destinados à catequese e materiais necessários para as celebrações religiosas. Esta foi uma mulher que se envolveu em acções que visavam sempre a transformação do meio comunitário a que pertencia, pois ajudando os outros, sentia-se útil e realizada.

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